segunda-feira, 23 de abril de 2012

A Silhueta de Hipnos



Não vejo mais seu despertar inaudito
Quando os meus ouvidos suplicavam por um bocejo
Sua silhueta destaca ainda como lamparina á noite
No qual sua luz tem apagado pelo resto do quarto

Ao sentir toda região do torso
Fez acender-me um sutil sorriso
Do horizonte dorsal poderia nascer o mais belo sol
Se pondo depois dos calcanhares

Eu poderia erguer esta pedra para perto do meu peito
Com meus braços entre sua cintura
Mas não correria o risco de roubar-te o sono

E eu jamais me perdoaria
Se te tirasse do sonho que tanto planejei
Eu vou embora e não amanhece.

Meu Universo


Amor que raramente vem à tona.
Vem pra mim como a vinda da maré
Lavando geladamente as feridas dos pés.

Sem nenhuma estrela cravada no dorso
Não, não são quase dois metros
Para mim são milhas ou quilometros.

Emitindo feixes na escuridão
De seus cilios um pouco mais leve
De mãos atadas eu me vejo

Os danos para mim são muitos
Pode não parecer
Mas sofro alguma lesão

E pareço morrer em uma supernova
Quando a tua luz ofusca
Em meus olhos.

Sou enterrado entre as nebuloras
Para mostrar-te depois o meu reaparecimento
A maior prova da tua importancia.

O unirverso te compoe meu amor
Teus ossos são de asteroides
E uma galaxia se perde facilmente dentro do teu peito.

Enrolado em teus braços
Amor, esse ar é assassino.
Gostaria de respirar na terra.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Sombra das 05:30

Sol áureo que tinge a manhã
Com os tons das lembranças
De uma noite opaca
Cintila apenas por alguns segundos

Tinta que escorre pela janela
Poderia vazar também dentro de mim
Deixando cada vez mais cinza
O vazio em meus olhos

Quando os teixos nascem sem sementes
Com um vermelho inconstante
O negativo cresce com os galhos

Logo, logo esta mancha sumirá
Para mais tarde ajudar a pintar
Mais um céu argênte.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Germinação


A escuridão cerra a luz das estrelas
Valsando entre nós, ela se aniquila
Os lábios inflam como caravelas  
E a lua pairando sobre um cabo de prata

Desprendendo-me das minhas jaulas, das minhas redomas
Das minhas lagrimas.
Eu jorro o sangue e um sacrifício
Quer dizer: mais nenhum tolo, exceto eu

Plantando as sementes dos meus olhos negros
Assim, com um gracioso sorriso sintético
Verás o meu falecido coração se enraizando
No necrotério e altar que chamam de praia

E eu serei totalmente entregue a ti
Não como um cadáver, mas como uma urna
E se com as galopadas do tempo, pulsar algo dentro de mim
Eu estarei te amando, mais que com os outros cinco.

E se algum dia isso acabar
Outras mãos abrirão a urna
Dessa vez, vazia
E a lembrança de botão sem pétalas

Mas ao teu lado o branco vira ciano e o preto, púrpura
O ar que corre entre meu nariz, a luz que passa pelos meus olhos
E cada pulsação do meu coração faz mais sentido com você
E é isso que me faz vivo

Por enquanto lutando  
Sonhando e desfazendo
Uma costura entre os lábios.
A mudez é uma resposta.    -Victor Nóbrega

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

A Fábrica da Alvorada - O Preludio

- A Vida é uma guerra constante contra o destino. A existência é um escudo em nossas mãos e um canhão em nossa frente. -Victor Nóbrega

"E a fábrica voltou a funcionar” No meu caso isso parece um pouco assustador tu deves imaginar. Ela estava completamente congelada. Como pôde se aquecer tão rapidamente? Não, eu não voltei a ser aquele velho espírito naquele velho corpo de antes, eu continuo sedo a alvorada, continuo ficando cada vez mais sólido e instável até mais teátrico. Talvez eu apenas esteja á caminho de me tornar aquilo que sempre quis conhecer: o meu eu, acho que um dia tu também procuraste isso, estou certo? Sim, eu te amo meu amigo, não da maneira que os homens dizem o que é amar, mas sim da maneira mais pura e mais verdadeira que consigo enxergar. Eu te amo não porque tu me ajudas ou me dar carinho. Eu te amo porque tu existes. Eu te amo pelo teu sorriso. Eu te amo porque é lindo o jeito que tu olhas para o céu. Eu te amo como amo o sol partindo e a lua surgindo. Eu te amo como amo tudo e todos que já me fezeram sentir algo, tudo e todos que já fizeram o meu coração bater ou partir.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Metamorfose


As pessoas sempre vão mudando, a cada instante adquirem novos pensamentos, manias e jeito de agir, mas algumas dessas metamorfoses são tão drásticas que eu me pergunto se aquela é a mesma pessoa... Eu realmente fico triste, pois sinto falta de certas pessoas que fisicamente ainda estão comigo, mas sei que não são as mesmas. Eu tento trazê-las de volta para o que eram antes, mas ninguém pode voltar ao passado.  A cada momento que estou ao seu lado, tento extrair de você algo que você costuma fazer na época que você era uma das pessoas mais importantes da minha vida. Sinto tua falta... E desculpe, mas não sou obrigado a gostar de você só porque no passado você foi uma pessoa que eu realmente admirava muito. A cada abraço que te dou, não é por nada ou por um simples costume, mas é para te implorar – Volte para mim como foi um dia. O que um dia era orgulho tornou-se vergonha, e isso é uma das coisas que mais me machuca. Por enquanto eu ainda carrego uma esperança: que um dia vamos nos encontrar de novo.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Chronos

Passei muito tempo pensando, imaginando e idealizando coisas, mas a cada momento em que vivo vou ganhando a certeza de que tenho dois caminhos: fico triste agora para no futuro poder ter paz ou tenho paz agora para poder agüentar ficar triste no futuro. No final das contas, irei sofrer; talvez isso me custe uma lagrima, um sonho ou um pouco de sangue, sofrerei o necessário para aniquilar uma semente que brotou novamente, e nesse caso é ainda mais difícil, pois eu me permito me magoar e ter um pouco de remorso. Eu errei, não sei como pude falar aquilo de uma maneira que parecia retratar a desvalorização e a falta de reconhecimento daquilo que as pessoas fazem com esforço para nos agradar. Eu sou dessas pessoas que sempre esperam… Eu espero escutar coisas que nunca irei escutar de ninguém, espero que sintam coisas por mim que jamais ninguém sentirá, quer dizer… Essas coisas sempre acontecem quando eu deixo de esperá-las, assim como nunca esperei por você. Talvez do que eu tenha mais medo sejam das mudanças, eu sei exatamente como funciona e no final sempre acontece o mesmo, e quando algumas pessoas fazem coisas pra mim, que eu jamais imaginaria, bom… Eu estarreço. Eu poderia ter amassado essa carta e ter jogado fora como muitas outras cartas que tenho escrito freneticamente, mas existe algo sobre esta, sobre meus sonhos, sobre meus medos, sobre o que nos poderíamos nos tornar no futuro.