A escuridão cerra a luz das estrelas
Valsando entre nós, ela se aniquila
Os lábios inflam como caravelas
E a lua pairando sobre um cabo de prata
Desprendendo-me das minhas jaulas, das minhas redomas
Das minhas lagrimas.
Eu jorro o sangue e um sacrifício
Quer dizer: mais nenhum tolo, exceto eu
Plantando as sementes dos meus olhos negros
Assim, com um gracioso sorriso sintético
Verás o meu falecido coração se enraizando
No necrotério e altar que chamam de praia
E eu serei totalmente entregue a ti
Não como um cadáver, mas como uma urna
E se com as galopadas do tempo, pulsar algo dentro de mim
Eu estarei te amando, mais que com os outros cinco.
E se algum dia isso acabar
Outras mãos abrirão a urna
Dessa vez, vazia
E a lembrança de botão sem pétalas
Mas ao teu lado o branco vira ciano e o preto, púrpura
O ar que corre entre meu nariz, a luz que passa pelos meus olhos
E cada pulsação do meu coração faz mais sentido com você
E é isso que me faz vivo
Por enquanto lutando
Sonhando e desfazendo
Uma costura entre os lábios.
A mudez é uma resposta. -Victor Nóbrega